É inteligente
quando pratica as acções abaixo descritas, é vingativo, quando executa algumas
dessas acções e finalmente é solidário, quando dá de comer ao próximo seus
companheiros de abrigo/reclusão.
Quando atrelado à carroça e se chega a casa e não o aliviam
da carga que transportou e caso não tenha a barrigueira colocada, uma correia
que passa por baixo da barriga e se aperta a ambos os lados da carroça, baixa a
cabeça, livra-se da carroça e vai à vida.
Inteligente.
Quando a D. Maria entra com dois baldes de água na corte (estábulo)
e num deita um punhado de farelo que é para os leitões e no outro não deita
nada, que era para ele, agarrou o balde com os dentes, levantou-o e apanhando a
D. Maria distraída atirou a água por cima da D. Maria. Aqui foi vingativo.
Quando, na corte, vê os coelhos de volta dele, atira da
manjedoura alguma da sua comida para o chão, beterrabas, nabos, couves, etc., para
que estes também comam e se for de noite liga-lhes a luz para que a possam ver.
Aqui está a ser solidário.
Se, estando dentro da corte, presente que há comida cá fora
e se a porta não estiver fechada à chave, com a língua abre-a, enfarda-se e
volta para dentro fechando a porta.
Chega de exemplos para justificar o título? E quem é?
É o burro que pertence ao ancião mais idoso de Santa
Eufémia, o Sr.Gilberto Paulos.
A solidariedade é o ponto que aqui ressalta e logo vindo de
quem vem. Por via desta atitude, os descendentes daqueles que ajudou, agora que
está mais velho e fragilizado, também não o abandonam e fazem questão de não o
deixarem sozinho.
Como estamos em maré de reivindicações, convoca-se uma
reunião de todos os burros e burras da aldeia, embora já sejamos poucos, para
reivindicarmos um palheiro bem recheado de fenos, onde possamos conviver e
passarmos tranquilamente os últimos dias de barriga cheia, porque a nossa reforma de 25€ para alimentação ainda
dá e assim evitaremos que nos entreguem no” Lar dos Ciganos”, pois estes irão
gastar a nossa reforma em proveito próprio, mesmo depois de já estarmos mortos,
porque eles nos abandonaram encostados a um barroco e de fragilizados e
tísicos, ficaremos a mercê dos lobos e abutres e eles, que não dão conta da
nossa morte às autoridades, continuarão a receber o dinheiro e gozar a nossa
reforma mesmo depois de termos sido pasto destes necrófagos.
Ser altruísta, não custa, sabe bem e a recompensa chega,
quando menos esperamos e de onde menos cuidamos.
Dezembro 2011, extraída das Crónicas de- apaulos.
Neste blog (1) Julho
2018-ap.
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